"Um amor, uma carreira, uma revolução: outras tantas coisas que se começam sem saber como acabarão."
Jean-Paul Sartre
Aquele deveria ser somente mais um dia qualquer na vida de Bárbara, com algumas variações que dependeriam principalmente do ambiente externo para acontecer. Bárbara acordaria, ficaria na cama por alguns minutos até se conformar com o fato de que já era dia; comeria os mesmos biscoitos e tomaria o mesmo café-com-leite de sempre no desejum; leria os mesmos jornais em busca de um sub-emprego abridor de portas para Sociólogos desempregados; ouviria músicas alternativas ou ligaria a tv e mudaria 50 vezes de canal em busca de algo que se destacasse em meio aos programas enfadonhos da tv aberta; faria uma ou duas ligações para sua melhor amiga gestante, Duca; requentaria suas refeições industrializadas, e a cada 5 minutos, lembraria ainda com certo ressentimento de Álvaro, seu ex-chefe casado e homem com Bárbara tivera um caso de seis meses. Mas esta seria apenas mais uma rotina desinteressante dentre outras mais em Manaus e mundo afora. Rotina esta quer se estabelecera havia cerca de um mês; mais especificamente depois que Bárbara deixara de ser atendente - ou garçonete, como alguns insistiam em chamá-la - do The Clock Bar. Porém naquela manhã relativamente cinza de outubro, Bárbara foi surpreendida com uma ligação que mudaria todo o percurso de seu dia. Eram 6h05 quanto o telefone tocou.
- Alô.
Do outro lado, uma voz familiar, mas não imediatamente identificada respondeu.
- Oi, Bárbara? É a Carla Regina...
- Carla...? Carla do dentista? - perguntou, ainda confusa por conta do sono.
- Não, Bárbara... É daqui de Santarém. Sou a Carla, filha do Sr. Abreu, lembra? Fomos vizinhas em Suruacá...
- Oh, sim! Carla! Como vai? Desculpa não ter lembrado, é que faz tanto tempo...
Num intervalo que durou milésimos de segundos, Bárbara respirou fundo e se preparou para o que certamente estava por vir.
- O que aconteceu?
- Então, Bárbara... Nem sei como te falar... O Savinho, seu irmão esteve aqui semana passada e nós tentamos muito falar com você... Mas aí não conseguimos e ele teve de voltar pra Suruacá pra ficar com o seu pai... Ai, Bárbara. Não queria ser a pessoa que vai te dar essa notícia, mas a sua mãe, Dona Rosana... ela faleceu.
- Alô.
Do outro lado, uma voz familiar, mas não imediatamente identificada respondeu.
- Oi, Bárbara? É a Carla Regina...
- Carla...? Carla do dentista? - perguntou, ainda confusa por conta do sono.
- Não, Bárbara... É daqui de Santarém. Sou a Carla, filha do Sr. Abreu, lembra? Fomos vizinhas em Suruacá...
- Oh, sim! Carla! Como vai? Desculpa não ter lembrado, é que faz tanto tempo...
Num intervalo que durou milésimos de segundos, Bárbara respirou fundo e se preparou para o que certamente estava por vir.
- O que aconteceu?
- Então, Bárbara... Nem sei como te falar... O Savinho, seu irmão esteve aqui semana passada e nós tentamos muito falar com você... Mas aí não conseguimos e ele teve de voltar pra Suruacá pra ficar com o seu pai... Ai, Bárbara. Não queria ser a pessoa que vai te dar essa notícia, mas a sua mãe, Dona Rosana... ela faleceu.